Faz hoje anos que se deu em Portugal uma Revolução, ocasionalmente chamada revolução dos cravos. As mulheres que os vendiam na rua começaram a distribuí-los e alguém se lembrou de os colocar na boca das armas. Portugal não mais foi o mesmo. Nesse dia eu era uma jovem que acordava para mais um dia de aulas. Liguei a televisão. Nessa época eu andava no segundo ano da Telescola. Vivia numa aldeia longe de outras escolas e assistiamos às aulas pela televisão. Era o equivalente ao quinto e sexto anos. Tinhamos monitores que eram professores que nos orientavam as aulas. O qiue é certo é que fizemos os dois anos com excelente formação. A professora das áreas das letras era licenciada em História e a outra da área das ciências era professora primária. Ambas eram excelentes professoras. Havia disciplina e respeito. No final dos dois anos vieram uns inspectores do Ministério fazer-nos exames nacionais. Passei com distinção.Bem. mas vamos ao que interessa hoje. Ao ligar a televisão vejo um homem fardado a dizer que o governo tinha sido deposto. Apelava à calma. Percebi que tinha havido uma revolução. Fui dizer à minha mãe. Ela não sabia o que se passava. Fui à escola e a nossa professora disse-nos que finalmente vivíamos em liberdade e que poderíamos expressar a nossa opinião. Pediu-nos que nunca nos esquecêssemos desse dia. Não o esqueci e hoje vivo cada vez mais a necessidade desses momentos. Viva a liberdade! Não deixemos que o espírito de Abril morra...Não esqueci mais aquele dia em que vi aquele comunicado na televisão, lido de forma estranha, mas que mostrava uma mudança.. Tenhamos coragem para mudar todos os dias.
"A neblina descera à praia durante a noite. Ana não gostou daquele acordar nevoento. Tinha chegado nesse fim – de – semana e planeava apanhar uns dias de sol para finalmente descansar. Após quatro anos de intenso trabalho, conseguira uns dias de férias. A casa da tia Guida era propícia para esse descanso. Construída nos anos sessenta do século vinte, junto aos penhascos da praia dos piratas, tinha um pequeno caminho que levava directamente a uma praia que outrora tinha sido abrigo de piratas. A gruta, sobranceira à praia, deixava adivinhar ainda todos os tesouros escondidos de outrora. Ana adorava aquela praia. Fora a praia dos seus sonhos. Havia uma lenda antiga que contava que por ali ainda pairava o espírito do velho Yorn, um pirata que enterrara um tesouro fabuloso. Ana sempre sonhara encontrar esse tesouro imaginário. Em garota, quando vinha com a mãe, fazia grandes buracos na areia sempre na esperança de encontrar o tesouro. Este sonho já se perdera no tempo, mas este imagin...