Mais um ano e com esta passagem do tempo tão rápida tenho a noção exacta da efemeridade da vida. Vêm-me à memória tempos passados. Uma menina de tranças ía para a escola. Bata branca, sempre muito limpa. Meias até ao joelho. Calças, nem pensar.Uma menina não veste calças, só saias, dizia o pai. Enfim, outros tempos. À custa das saias andava sempre com os joelhos esmurrados das brincadeiras. Mais tarde passou anos sem usar uma saia. A sala de aula tinha um crucifixo na parede, por cima do quadro negro e, de um lado estava o presidente do conselho e de outro o da república. Dava consigo a olhar para aquelas imagens severas e abstraía-se da realidade. Mas, depressa voltava à terra, pois a professora não era para brincadeiras e não eram admitidas distracções. Ainda hoje consegue ouvir palestras e discursos deveras aborrecidos sem que dêem conta das suas deambulações. As semanas tinham seis dias de aulas. Só o domingo escapava. Ao sábado só havia escola de manhã. A turma era f...