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A mostrar mensagens de maio, 2009

O palácio

O palácio adquirido pela Ana era fascinante. Meio arruinado, datava do século XVIII. Tinha pertencido a uma família de uma estirpe e educação antigas que já não existe hoje. Um a um todos os membros desta família tinham partido, uns pelo trabalho outros pela morte e a casa pouco a pouco ficara abandonada. Numa visita de Verão Ana encontrou esta casa e logo se apaixonou por ela. Os salões enormes, cheios de luz e de frescos deixaram-na fascinada. Passou a sonhar com ela diariamente e o plátano ao fundo do jardim, com a sua vegetação frondosa pareceu-lhe o sítio ideal para passar as tardes sossegadas de que tanto gostava. Começou a tratar de tudo para poder adquiri-la. Não foi fácil. Durante meses procurou o dono da casa, último herdeiro, que nem se lembrava mais daquela casa, pois poucas vezes lá tinha estado.

E a exposição?

Desta vez o tema era o mar. Muitos dos que compravam os quadros não conheciam Ana. Ela não aparecia e pairava no ar uma luminosidade e um mistério que lhe agradavam. Ana iria mudar? Caro leitor, veremos até onde nos leva a história de Ana. Chegada à cidade bem cedo Helena sabia que ana se instalara no quarto "com vista", como ela costumava dizer. Era o quarto preferido de Ana, embora ela nunca dissesse a que horas chegava. Helena só sabia a que horas a devia procurar. Essa era certa.Às nove em ponto lá estava Ana na sala do pequeno-almoço feliz, radiosa e pensativa. Não lhe agradava nada ter de fazer mais uma exposição, mas tinha de a fazer e chegara finalmente a hora de tratar de tudo. Já se sentia bem por não saberem quem era ela. Isso deixava-a tranquila. Conversaram longamente acerca dos pormenores e partiram para a "Galeria". Era este o nome do novo espaço. Os quadros iam chegar pela manhã e ela queria assistir à descarga. Geralmente não eram muito cuidadosos e...

O Palácio da Ana

Yorn, mar, tudo se conjugava. Antes de o Miguel ir para África já Ana tinha adquirido um espaço, suficientemente grande para as suas exposições, um palácio monumental no centro do país. Ana que precisava de destruir o torpor daqueles dias decidiu finalmente dedicar-se ao seu projecto. Até quando? Nem ela sabia, mas tinha que expor os seus quadros e precisava urgentemente de se ligar aos novos dias. Uma madrugada, bem cedo, que era quando ela apreciava fazer as suas viagens, partiu rumo ao centro do país para dar andamento aos necessários detalhes da apresentação do seu espaço. Ela não gostava muito de aparecer e era a custo que expunha as suas obras. A Helena trataria de tudo, como era habitual. Afinal era a imagem pública do seu trabalho. Ana sempre gostara de permanecer na penumbra. Livre e interiormente só era assim que ela apreciava a vida. Os outros vagueavam à sua volta, iam e vinham deixando marcas mais ou menos profundas. Só um não partira definitivamente, o Miguel. Desse ela...

Maio...lindo

Chegou o mês de Maio, um dos meus preferidos. a natureza está exuberante e muito verde. As andorinhas voltaram e no ar há um desejo de renovação. Esta fotografia foi tirada ontem e como se vê o sol estava espantoso.