Por mais que custe acreditar, "a nossa" ministra da educação mostra um completo e absurdo desconhecimento da realidade que é a escola hoje. Sou professora há já alguns anos e nunca senti como hoje a instabilidade, a insegurança e até a tristeza que é ser professor. A nossa vida resume-se a constantes e demoradas reuniões, a análises infindáveis que não chegam a lado nenhum e a discussões que já começam a ser pouco amigáveis, resultantes de um cansaço que era costume sentir-se no final do ano lectivo. Abriram-se as portas à ignorância disfarçada de novidade e àquilo que não se faz nos outros países, porque já faliu. Somos peritos em recolhas falhadas. Que será dos nossos estudantes? Afinal a escola existe porque há alunos. O primeiro mestre qualificado como professor data da época do Marquês de Pombal. O mestre é aquele que orienta, mostra, abre caminho. Se em vez desta teimosia em querer "avaliar-nos" pensassem que temos de praticar o ensino e acabar, por exemplo, com o crescente aumento de violência, pobreza e iliteracia dos nossos jovens estudantes? Já para não falar da falta de educação e respeito com que chegam à escola. Andam a tapar o sol com a peneira. Como se pode estudar se falta a comida? Se falta a motivação? Se os pais não têm empregos? A escola onde trabalho que já estava superlotada, com centenas de almoços, foi invadida desde o início do ano lectivo por uma multidão de sessenta crianças que lá passaram a almoçar diariamente. São fruto do novo programa do fecho de escolas...Agora, os nossos estudantes que pouco mais têm do que trinta minutos para almoçar, começaram a chegar sistematicamente atrasados às aulas da tarde, porque nem todos conseguem comer a tempo. A escola para onde passarão estará pronta daqui a um ano. Por que será que teimam em começar a casa pelo telhado? Enfim penso que hoje vou ficar por aqui...Esperamos nos próximos dias alterar algo que já começa a ser demais...falta de audição de um governo que também sofre de uma perturbação recente... a tirania e o despotismo. Vamos continuar a lutar, afinal somos muitos...
"A neblina descera à praia durante a noite. Ana não gostou daquele acordar nevoento. Tinha chegado nesse fim – de – semana e planeava apanhar uns dias de sol para finalmente descansar. Após quatro anos de intenso trabalho, conseguira uns dias de férias. A casa da tia Guida era propícia para esse descanso. Construída nos anos sessenta do século vinte, junto aos penhascos da praia dos piratas, tinha um pequeno caminho que levava directamente a uma praia que outrora tinha sido abrigo de piratas. A gruta, sobranceira à praia, deixava adivinhar ainda todos os tesouros escondidos de outrora. Ana adorava aquela praia. Fora a praia dos seus sonhos. Havia uma lenda antiga que contava que por ali ainda pairava o espírito do velho Yorn, um pirata que enterrara um tesouro fabuloso. Ana sempre sonhara encontrar esse tesouro imaginário. Em garota, quando vinha com a mãe, fazia grandes buracos na areia sempre na esperança de encontrar o tesouro. Este sonho já se perdera no tempo, mas este imagin...