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Próxima quarta-feira...

É um dia especial para mim. Faço anos. Este ano vou fazer greve nesse dia. Afinal todos os dias são bons para lutar, mais até no dia do nosso aniversário. Não há modo de a ministra da educação perceber que, afinal, ninguém quer este tipo de "confusão" na classe dos professores. Nós queremos respeito, na classe e pela classe. Não queremos escolas com alunos indisciplinados nem com CEFs que não querem, de todo, aprender seja o que for. Não queremos a falta de respeito dos alunos e de muitos pais, que não entendem que nós somos educadores e, às vezes pensam que somos tarefeiros para guardar os meninos enquanto estão a trabalhar. Sou apologista da dignificação do ensino e do respeito. Também não gosto das ideias demasiado tecnológicas. As pessoas têm que aprender a pensar. Aos cinco anos a descoberta é importante. Trepar às árvores, correr com os amigos e a seguir aprender a escrever, construir e sonhar mundos. Olhar a natureza. Há tempo para os computadores. Quanto a mim eles poderão e deverão vir mais tarde.
Não tenho problemas com alunos. Já aqui falei disso uma vez. No início do ano estabeleço limites e não os altero. Talvez tenha tido, até agora, alguma sorte. Longe vai o tempo em que um aluno de uma escola onde trabalhei me apontou uma navalha de ponta em mola, porque não queria fazer um teste. Parece ficção, mas não. Aconteceu comigo e nesse ano, o meu primeiro ano de trabalho, esteve quase para ser o último, pois fiquei desolada. Licenciada de fresco, cheguei a pensar sair do país. A escola protegeu-me. Chamaram a guarda e o aluno foi proibido de voltar a entrar na escola. Fugiu da minha aula pela janela. Valeu-me a escola ser das antigas e ter uma campainha e um funcionário por perto. Foi expulso. E hoje? Quando um aluno se "porta mal", que se faz? Muitas vezes as pessoas têm medo de falar, porque não são levadas a sério. Depois vêm alguns dos pais questionar a qualidade desse professor. E se olhassem para os filhos que "criaram"? Sou professora, penso que não terei outra profissão. Quem entra nela dificilmente sai. Só quem deu aulas tantos anos e viu tantos jovens a crescer e a ir entende aquilo que eu digo.
Vamos formar pessoas e pensar nas verdadeiras necessidades da escola. Criar um ambiente de respeito e de seriedade não faz mal a ninguém, antes fortalece o carácter e faz notar que aprender não é necessariamente uma brincadeira. A avaliação, como o governo a quer, não resultará da forma que eles pensam. Terá que ser pensada, repensada e experimentada. Só depois deverá ser validada. Há que dar o verdadeiro valor ao professor. Continuarei a lutar para que o ensino volte a apanhar o comboio, que aos poucos perdeu.

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