Pode parecer estranho mas estou a fazer a contagem decrescente para o fim do período lectivo. É que nesta altura estamos tão cansados que até agradecíamos que esquecessem que nós ( professores) existimos e, contrariamente ao que os outros dizem, não, não temos férias. Os alunos é que deixam de nos ver, por uns dias, pois na época da avaliação nós acampamos na escola e pouco falta para lá passarmos a consoada. Mas enfim, já nos habituámos ao reconhecimento brejeiro do: " Então ? Estás de férias? Que sorte e que bom é trabalhar para o estado!". Férias só lá para o final do ano lectivo, i.e, Agosto, se o pregador não mentir.
"A neblina descera à praia durante a noite. Ana não gostou daquele acordar nevoento. Tinha chegado nesse fim – de – semana e planeava apanhar uns dias de sol para finalmente descansar. Após quatro anos de intenso trabalho, conseguira uns dias de férias. A casa da tia Guida era propícia para esse descanso. Construída nos anos sessenta do século vinte, junto aos penhascos da praia dos piratas, tinha um pequeno caminho que levava directamente a uma praia que outrora tinha sido abrigo de piratas. A gruta, sobranceira à praia, deixava adivinhar ainda todos os tesouros escondidos de outrora. Ana adorava aquela praia. Fora a praia dos seus sonhos. Havia uma lenda antiga que contava que por ali ainda pairava o espírito do velho Yorn, um pirata que enterrara um tesouro fabuloso. Ana sempre sonhara encontrar esse tesouro imaginário. Em garota, quando vinha com a mãe, fazia grandes buracos na areia sempre na esperança de encontrar o tesouro. Este sonho já se perdera no tempo, mas este imagin...