E, finalmente, chegou o penúltimo dia de aulas. É que, com estas temperaturas negativas, não há aquecimento que aguente. A escola não consegue aquecer o suficiente, pois as salas são imensamente grandes. Mas é bom pensar que o Natal está à porta e que pelo menos, ainda podemos fazer um refeição condigna. Tem-me causado grande impressão ver a desgraça que vai por este país. Ontem, no noticiário vi uma mulher de 58 anos que parecia ter alguns 80. Chocou-me aquela imagem de sofrimento. Gostei de ouvir o presidente da associação de munícipios referir, muito objectivamente, que há pessoas que têm de seleccionar os medicamentos que podem comprar, não pelas suas necessidades, mas pelo seu rendimento e que precisam de ajuda. Que país é este que esquece os seus próprios cidadãos? Infelizmente muito havia que dizer acerca da miséria. Deve ser uma boa reflexão, para aqueles que ainda podem suprir as suas necessidades. E que tal começar a limpar a banca dos usurários ladrões? É uma vergonha para qualquer país chegar a este ponto. Uns tão ricos e outros tão pobres. O progresso traz estes males. Como se não bastasse tudo isto, ouvi hoje nas notícias da madrugada que o degelo é irreversível. Vivemos tempos de mudança. Até onde irá ela?
"A neblina descera à praia durante a noite. Ana não gostou daquele acordar nevoento. Tinha chegado nesse fim – de – semana e planeava apanhar uns dias de sol para finalmente descansar. Após quatro anos de intenso trabalho, conseguira uns dias de férias. A casa da tia Guida era propícia para esse descanso. Construída nos anos sessenta do século vinte, junto aos penhascos da praia dos piratas, tinha um pequeno caminho que levava directamente a uma praia que outrora tinha sido abrigo de piratas. A gruta, sobranceira à praia, deixava adivinhar ainda todos os tesouros escondidos de outrora. Ana adorava aquela praia. Fora a praia dos seus sonhos. Havia uma lenda antiga que contava que por ali ainda pairava o espírito do velho Yorn, um pirata que enterrara um tesouro fabuloso. Ana sempre sonhara encontrar esse tesouro imaginário. Em garota, quando vinha com a mãe, fazia grandes buracos na areia sempre na esperança de encontrar o tesouro. Este sonho já se perdera no tempo, mas este imagin...