Começou a nevar depois da hora de almoço. A cidade está um espectáculo digno de nota. O nosso professor de AGE não veio, pois Braga tem as estradas cortadas. Adiantámos o trabalho de Sociologia e não esperámos que a neve nos deixasse aqui presas. Será que amanhã temos aulas? Ainda não deram resposta. Afinal a maior parte dos colegas vem de zonas de neve e já ficaram presos hoje. Estou, neste momento, no Fórum à espera do expresso que vem do Porto. Espero que a estrada esteja desimpedida. Imaginem o contraste. Neste momento em Angola está um tempo de Verão. Quase trinta graus e nós aqui com esta vaga de frio!! Dá para esquecer a crise e pensar nas nossas limitações... Hoje estou bem disposta. Dei sete horas de aulas seguidas e vim para a faculdade. Não vejo a hora de me sentar à lareira. Talvez lá para as nove da noite. Até lá vou esperar por uma resposta da faculdade. Talvez não haja aulas e eu possa passar o dia a estudar.
"A neblina descera à praia durante a noite. Ana não gostou daquele acordar nevoento. Tinha chegado nesse fim – de – semana e planeava apanhar uns dias de sol para finalmente descansar. Após quatro anos de intenso trabalho, conseguira uns dias de férias. A casa da tia Guida era propícia para esse descanso. Construída nos anos sessenta do século vinte, junto aos penhascos da praia dos piratas, tinha um pequeno caminho que levava directamente a uma praia que outrora tinha sido abrigo de piratas. A gruta, sobranceira à praia, deixava adivinhar ainda todos os tesouros escondidos de outrora. Ana adorava aquela praia. Fora a praia dos seus sonhos. Havia uma lenda antiga que contava que por ali ainda pairava o espírito do velho Yorn, um pirata que enterrara um tesouro fabuloso. Ana sempre sonhara encontrar esse tesouro imaginário. Em garota, quando vinha com a mãe, fazia grandes buracos na areia sempre na esperança de encontrar o tesouro. Este sonho já se perdera no tempo, mas este imagin...