Não é fácil perseguir a esperança. Passamos a vida a esperar. Esperar que o dia nasça ou que o dia acabe. Esperar pelo autocarro. Esperar pela nossa vez. Esperar para almoçar. Há muitos anos que como em cantinas. Cada vez que vou para a fila e espero lembro-me do passado e das horas de espera. Toda a nossa vida é composta de esperas, mais curtas, mais longas mas sempre esperas. Ultimamente espero por ti. Todos os dias. há meses que isso acontece, mas cada vez é acompanhada de maior esperança e os leitores que me perdoem. penso que nunca me vou cansar de esperar. Esperar pode ser um crescimento, um conhecimento que não sabíamos ter. A espera pode ser rica na medida em que a aproveitemos para crescer e mostrar que quem espera está lá sempre.
"A neblina descera à praia durante a noite. Ana não gostou daquele acordar nevoento. Tinha chegado nesse fim – de – semana e planeava apanhar uns dias de sol para finalmente descansar. Após quatro anos de intenso trabalho, conseguira uns dias de férias. A casa da tia Guida era propícia para esse descanso. Construída nos anos sessenta do século vinte, junto aos penhascos da praia dos piratas, tinha um pequeno caminho que levava directamente a uma praia que outrora tinha sido abrigo de piratas. A gruta, sobranceira à praia, deixava adivinhar ainda todos os tesouros escondidos de outrora. Ana adorava aquela praia. Fora a praia dos seus sonhos. Havia uma lenda antiga que contava que por ali ainda pairava o espírito do velho Yorn, um pirata que enterrara um tesouro fabuloso. Ana sempre sonhara encontrar esse tesouro imaginário. Em garota, quando vinha com a mãe, fazia grandes buracos na areia sempre na esperança de encontrar o tesouro. Este sonho já se perdera no tempo, mas este imagin...