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O Palácio da Ana

Yorn, mar, tudo se conjugava. Antes de o Miguel ir para África já Ana tinha adquirido um espaço, suficientemente grande para as suas exposições, um palácio monumental no centro do país. Ana que precisava de destruir o torpor daqueles dias decidiu finalmente dedicar-se ao seu projecto. Até quando? Nem ela sabia, mas tinha que expor os seus quadros e precisava urgentemente de se ligar aos novos dias.
Uma madrugada, bem cedo, que era quando ela apreciava fazer as suas viagens, partiu rumo ao centro do país para dar andamento aos necessários detalhes da apresentação do seu espaço. Ela não gostava muito de aparecer e era a custo que expunha as suas obras. A Helena trataria de tudo, como era habitual. Afinal era a imagem pública do seu trabalho. Ana sempre gostara de permanecer na penumbra. Livre e interiormente só era assim que ela apreciava a vida. Os outros vagueavam à sua volta, iam e vinham deixando marcas mais ou menos profundas. Só um não partira definitivamente, o Miguel. Desse ela sentia muitas saudades. Não sabia ate quando ia aguentar a ausência. Ele estaria sempre presente, acompanharia todos os seus sonhos. Chegou à cidade bem cedo. Ficou no hotel do costume, calmo, sossegado, em tudo semelhante a si. Ficara de se encontrar com Helena no dia seguinte no palácio.

Contos do Mar

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