Os canteiros estavam desalinhados o jardim estava tão seco e desordenado que quase parecia que nunca ali vivera ninguém. Numa sala remota havia um piano de cauda. Como era possível alguém o ter esquecido? Mas ali estava ele em toda a sua magestade a fazer recordar os bailes e as festas de outrora. Aquela sala não estava totalmente despojada de vida. Nas paredes viam-se ainda quadros dos antepassados, duas jovens trajadas com vestidos de baile, atravessados na cintura por duas grandes fitas cor-de-rosa. Os cabelo louros e anelados, bem penteados, tal como a pele branca mostravam as suas origens nobres. As jóias que as enfeitavam mostravam sem qualquer sombra de dúvida a riqueza daquela família. Uma delas tinha a seus pés um grande cão e acariciava-lhe a cabeça.Havia ainda dois outros quadros onde se podiam observar duas jovens trigueiras de cabelo escuro, mas as poses eram as mesmas. As faixas dos vestidos eram azuis e os vestidos eram de baile, bastante decotados. A enfeitar o colo gargantilhas com pedras azuis.
"A neblina descera à praia durante a noite. Ana não gostou daquele acordar nevoento. Tinha chegado nesse fim – de – semana e planeava apanhar uns dias de sol para finalmente descansar. Após quatro anos de intenso trabalho, conseguira uns dias de férias. A casa da tia Guida era propícia para esse descanso. Construída nos anos sessenta do século vinte, junto aos penhascos da praia dos piratas, tinha um pequeno caminho que levava directamente a uma praia que outrora tinha sido abrigo de piratas. A gruta, sobranceira à praia, deixava adivinhar ainda todos os tesouros escondidos de outrora. Ana adorava aquela praia. Fora a praia dos seus sonhos. Havia uma lenda antiga que contava que por ali ainda pairava o espírito do velho Yorn, um pirata que enterrara um tesouro fabuloso. Ana sempre sonhara encontrar esse tesouro imaginário. Em garota, quando vinha com a mãe, fazia grandes buracos na areia sempre na esperança de encontrar o tesouro. Este sonho já se perdera no tempo, mas este imagin...