Afinal por que motivo dividiram os professores de várias formas? Primeiro criaram uma "coisa" a que chamaram de professor titular. Ora, que faz ele? Avalia colegas, coordena departamentos e mais uma carga de burocracias que, ultimamente, empurra para os que não são titulares, pois nem por isso ganha mais e não está preparado pois há tempos que já não queria saber nem fazia formação. Muitos estão a desistir de ser professores. Outros dão larga à sua imaginação mostrando ao colega que titular está uns degraus acima, por isso nada de misturas. Eu cá sou titular!!! Como vêem há para todos os gostos. Os primeiros cairam lá de para-quedas, pois como todos sabem, ou estavam no 8º, 9º ou 10º escalões. Outros até o tribunal meteram pelo meio para não lhes faltar o título. Outros há que entendem que o melhor professor não será o que tem o tal título. Agora querem uma prova, com um trabalho, que até nem é difícil de fazer. Mas, o pior está nas injustiças criadas a encoberto de "à procura da boa escola". A boa escola não é a que tem os professores divididos nem a que prima pela falta de democracia, veja-se o novo modelo de gestão. Onde está a autonomia dos professores, mandados por um qualquer boy que também aproveita para fazer aquilo que nunca conseguiu fazer, mandar, mas com as costas quentes e lá de cima. Eticamente o caminho é longo e alguém me dizia há dias, "foge de quem serviu e agora quer mandar". Para haver uma escola de sucesso os pais terão de se convencer que os filhos são deles e que são eles os primeiros responsáveis por eles. Terá de haver regras, faltou porque não lhe apetecia ir à escola é punido. Todos passam quer faltem ou não, quer estudem ou não e cria-se aquilo a que se chama facilitismo. Não é fácil para um pai dizer a um filho que tem de estudar, pois ele responde:"não sabes que se passa na mesma; o Zé nunca estudou e ano após ano os professores passam-no, porque não hei-de passar eu?" Alguém ponha cobro a isto pois aos professores não os ouvem e teimam em aplicar aqui os modelos da Finlândia!!! Nós não somos finlandeses e a escola terá de se preocupar com os factores culturais, individuais e relacionais, entre outros. Pensem na melhor forma de adequar ao nosso país os pilares da educação e pensar para que serve a escola, se para andar a reboque, se para formar pessoas...Já falei demais, perdoem-me o desabafo, mas é isto que eu penso e talvez milhares como eu que fizeram da docência carreira, mesmo muito antes da virose da titularidade.
"A neblina descera à praia durante a noite. Ana não gostou daquele acordar nevoento. Tinha chegado nesse fim – de – semana e planeava apanhar uns dias de sol para finalmente descansar. Após quatro anos de intenso trabalho, conseguira uns dias de férias. A casa da tia Guida era propícia para esse descanso. Construída nos anos sessenta do século vinte, junto aos penhascos da praia dos piratas, tinha um pequeno caminho que levava directamente a uma praia que outrora tinha sido abrigo de piratas. A gruta, sobranceira à praia, deixava adivinhar ainda todos os tesouros escondidos de outrora. Ana adorava aquela praia. Fora a praia dos seus sonhos. Havia uma lenda antiga que contava que por ali ainda pairava o espírito do velho Yorn, um pirata que enterrara um tesouro fabuloso. Ana sempre sonhara encontrar esse tesouro imaginário. Em garota, quando vinha com a mãe, fazia grandes buracos na areia sempre na esperança de encontrar o tesouro. Este sonho já se perdera no tempo, mas este imagin...