"Para Miguel havia agora o início de uma nova vida. Começaria por reconstruir tudo, a casa, as plantações, os caminhos. Havia muito para fazer e não havia tempo a perder. Na primeira manhã na casa grande Miguel acordou satisfeito, com uma aurora plena de luz. Tomou um banho naquela banheira antiga a perder de vista, mas tinha que racionar a água até que os furos fossem feitos. Nana ainda ali estava e seria o seu braço direito, como o fora da mãe. Afinal, quem melhor do que ela conhecia aquele mundo? Menino quer que lhe faça o pequeno-almoço? Como Nana? Não se preocupe, só tem que dizer a hora. Naquela manhã, na cozinha, lá estava um pequeno-almoço com pão feito por ela, fruta, sumo e até leite e manteiga. Miguel sentiu uma deliciosa sensação de nunca ter saído dali. Até um belo bolo para completar aquele cenário."
"A neblina descera à praia durante a noite. Ana não gostou daquele acordar nevoento. Tinha chegado nesse fim – de – semana e planeava apanhar uns dias de sol para finalmente descansar. Após quatro anos de intenso trabalho, conseguira uns dias de férias. A casa da tia Guida era propícia para esse descanso. Construída nos anos sessenta do século vinte, junto aos penhascos da praia dos piratas, tinha um pequeno caminho que levava directamente a uma praia que outrora tinha sido abrigo de piratas. A gruta, sobranceira à praia, deixava adivinhar ainda todos os tesouros escondidos de outrora. Ana adorava aquela praia. Fora a praia dos seus sonhos. Havia uma lenda antiga que contava que por ali ainda pairava o espírito do velho Yorn, um pirata que enterrara um tesouro fabuloso. Ana sempre sonhara encontrar esse tesouro imaginário. Em garota, quando vinha com a mãe, fazia grandes buracos na areia sempre na esperança de encontrar o tesouro. Este sonho já se perdera no tempo, mas este imagin...