"Não o fez, todavia, pois sabia que era inútil. Quer escrevesse ABAIXO O GRANDE IRMÃO, quer se coibisse, não fazia diferença. Tanto adiantava que continuasse o diário como não. Fosse como fosse a Polícia do Pensamento haveria de o apanhar. Tinha cometido - e teria cometido na mesma, ainda que nunca tivesse pegado na caneta - o crime essencial que continha em si todos os outros. Pensarcrime, assim lhe chamavam. O Pensarcrime não era coisa que se pudesse esconder eternamente. Uma pessoa podia esquivar-se com êxito durante algum tempo, durante anos até, mas mais tarde ou mais cedo seria fatalmente apanhada. Acontecia sempre durante a noite - as prisões executavam-se invariavelmente à noite...a pessoa era abolida, aniquilada: vaporizada, o termo geralmente usado."
Orwell, George. 1984