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A ida para África

"O pai de Miguel já tinha partido há algum tempo. Uma doença dura que não lhe perdoou a vontade de viver levou-o precocemente. A mãe, com o sofrimento da perda do seu lar, em Angola, nunca mais fora a mesma, entrou numa depressão profunda que se prolongou por anos, tendo piorado após a morte do marido. Nem o Miguel a conseguira salvar da decadência. Tinha uma saudade longínqua de tudo o que deixara. Afinal ela nascera lá. Nunca conhecera outro país, o seu país, e faltava-lhe o calor de África e da Casa Grande, dos seus entes queridos e de tudo o que deixara, da Nana que sempre a ajudara e que era o seu braço direito. Acabou por enlouquecer de tanta tristeza. Teve que ser internada, pois alheou-se completamente de tudo e deixou de se conhecer. Aos poucos ainda conhecia o Miguel, mas depressa o esqueceu. Não entendia porque é que aquele rapaz esbelto de olhos azuis a visitava com tanta frequência e a tratava assim, de forma tão carinhosa. Perdera as memórias e vivia num sonho diferente, no seu mundo adquirido pelas desilusões fortes. Miguel sentia-se triste, pois aquela não era a mãe da sua infância, mas sabia que não havia retorno. Foi mais fácil partir. Afinal a mãe já não o conhecia e ficava bem entregue, não havia qualquer dúvida."
Linda

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"A neblina descera à praia durante a noite. Ana não gostou daquele acordar nevoento. Tinha chegado nesse fim – de – semana e planeava apanhar uns dias de sol para finalmente descansar. Após quatro anos de intenso trabalho, conseguira uns dias de férias. A casa da tia Guida era propícia para esse descanso. Construída nos anos sessenta do século vinte, junto aos penhascos da praia dos piratas, tinha um pequeno caminho que levava directamente a uma praia que outrora tinha sido abrigo de piratas. A gruta, sobranceira à praia, deixava adivinhar ainda todos os tesouros escondidos de outrora. Ana adorava aquela praia. Fora a praia dos seus sonhos. Havia uma lenda antiga que contava que por ali ainda pairava o espírito do velho Yorn, um pirata que enterrara um tesouro fabuloso. Ana sempre sonhara encontrar esse tesouro imaginário. Em garota, quando vinha com a mãe, fazia grandes buracos na areia sempre na esperança de encontrar o tesouro. Este sonho já se perdera no tempo, mas este imagin...

Caminha sereno e tranquilo

Caminha sereno e tranquilo no meio do ruído e da precipitação e lembra-te da paz que podes encontrar no silêncio. Sempre que possível, e sem abdicares de ti próprio, sê bom e amigo de todos. Proclama a tua verdade calma e claramente; e escuta o que dizem os outros, mesmo os estúpidos e ignorantes; eles também têm coisas para contar. Foge das pessoas ruidosas e arrogantes, pois são vexames da inteligência. Se te comparares com os outros podes tornar-te vaidoso e despeitado, porque sempre haverá pessoas melhores e piores do que tu. Compraz-te com a tua profissão por mais humilde que ela seja; é um autêntico bem que não te fugirá nos incertos acasos do tempo. Tem cautela nos teus negócios porque o mundo é cheio de enganos. Mas que isto não te cegue ao ponto de te não deixar ver onde a virtude reside. Muitos homens lutam por elevados ideais e em toda a parte a vida está cheia de heroísmos. Sê tu próprio, sê autêntico. E principalmente, não sejas pedante e afectado. Não uses de cinismo no q...