Como estou inactiva tenho mais tempo para postar e reflectir sobre a realidade. Após um dia da celebração do Dia Mundial do Professor penso que "ser professor" não é ir ali a uma escola "dar" umas aulas como dizem alguns. É muito mais do que isso, é mostrar caminhos, abrir portas, janelas, mostrar que tudo se pode desde que haja vontade de aprender. Ora, hoje também temos muitos jovens que não têm vontade de aprender. Vou contar uma história de alguém que merece essa lembrança pela força e vontade, desde muito jovem. Já partiu há muito mas é uma imagem de perseverança.
Aqui há uns anos, bastantes, um rapaz de cerca de treze anos tinha vários irmãos a estudar. Embora a família tivesse posses tudo era contado a tostão.A esse rapaz, o mais novo dos irmãos, foi destinado pela família quenão iria estudar. Bem, foi trabalhar numa loja e pensaram que estava tudo resolvido. O negócio ainda ficava longe de casa, aguentou-se algum tempo, mas as perdas eram notórias.Não nascera para aquilo.
Um belo dia o rapaz meteu-se a caminho a pé e andou vários quilómetros para ir ter com a família. " Não quero ser comerciante. Eu quero estudar como os meus irmãos". A família ficou estarrecida. É que tinha de ser como eles queriam. " Se não me deixarem estudar eu não quero fazer mais nada". Lá conseguiu convencê-los, estudou em Coimbra, foi um aluno brilhante, chegando a fazer vários anos num só, formou-se em Medicina e foi um dos maiores médicos do Alto Alentejo, figura conhecida, embora ele não gostasse nada da notoriedade que lhe queriam dar, amigo de todos tendo ajudado centenas de pessoas, sem nunca pensar sequer se lhe iriam pagar. Anos mais tarde foi-lhe erigido um busto, ainda em vida ,homenageando a sua ajuda e desprendimento para com os que precisavam. Ele não apreciou particularmente esse acto que foi feito às escondidas dele, mas não teve outro remédio. Ainda hoje é lembrado nessa vila alentejana.
Eu tinha de contar esta história, verdadeira, e que mostra que, na vida, vontade e trabalho podem levar longe.