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Saudade dos dias grandes

Juro que há dias em que desejava hibernar. Tolero muito mal o frio. Nasci numa serra agreste, chuvosa, com tudo aquilo que uma boa serra tem para ser chamada de serra. No Inverno não podíamos pôr o nariz fora de portas sem quase congelarmos. No Verão tinhamos a aragem fria à noite. 
Os tempos são outros e troquei, há muito, a serra pela planície. Mas o frio continua e acentua-se nesta época do ano, em que, de repente, começo a desejar desenfreadamente a Primavera e o Verão. A esta hora está uma bela temperatura de cinco graus, gélidos, e cor-de-laranja, que é a cor que se vê no poente da serra. 

A minha mudança para país mais quente está por ora adiada. Mas tem dias em que só me apetece ir embora sem olhar para trás. Mas quando nos tornamos responsáveis por alguém não podemos tomar atitudes repentinas e há que aguentar. Enfim, não há bela sem senão e por agora apenas posso desejar que a Primavera chegue depressa para trazer os dias grandes e quentes.

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